Sobre a Cidade

SOBRE A CIDADE

Os sertões da Alta Araraquarense (Sertão de Rio Preto) permaneciam incultos até o final do século XIX, por falta de vias de comunicação. A estrada Boiadeira ou Estrada do Taboado, aberta pela iniciativa privada, na década de 1890, atravessou o sertão e ficou sendo a única via de acesso à região. Foi por ela que entraram e aqui se fixaram os precursores da massa de cafeicultores que iriam mudar o panorama do crescimento e do progresso das “terras novas”.

Nas duas primeiras décadas do século XX, desbravadores, entre eles: Joaquim Antonio Pereira, Afonso Cáfaro, Francisco Arnaldo da Silva, Quirino Luiz Pereira, João Biroli, todos assentados na Gleba Santa Rita, e Luiz Armando Barozzi e posteriormente Carlos Barozzi, pai e filho, e muitas outras famílias principalmente de italianos, na gleba Marinheiro, dão início à abertura desta região pioneira.

Os Barozzi, em 1938 (10/11), fundaram o patrimônio de Brasilândia que, em agosto de 1943, se tornou Distrito de Paz- 3ª Zona Distrital de Monteiro- (hoje Álvares Florence).

Em 22 de maio de 1939, Joaquim Antonio Pereira, fundou o patrimônio de Pereira, localizado aproximadamente a três quilômetros de Brasilândia.

As vilas pertenciam ao imenso município de Tanabi, na época, o maior do estado de São Paulo. As rivalidades logo surgiram tentando uma vila suplantar a outra.

O grupo político de Pereira era mais atuante e, mesmo sentindo o golpe da implantação da 3ª Zona Distrital em Brasilândia, iniciou um movimento para conseguir a elevação a município, tendo Pereira como sede.

Em 1945 haveria uma nova divisão territorial e administrativa do Estado de São Paulo e nenhuma das duas vilas tinha condição de, separadamente, ser elevada a município. Em 1943, o interventor Fernando Costa, em visita à região, sugere a unificação para alcançar tal objetivo. Portanto, Fernandópolis (Terra de Fernando), é o produto da união dos dois patrimônios primitivamente rivais, Brasilândia e Pereira, fundados na região pioneira do Sertão de Rio Preto.

O novo município, instalado em 1º de janeiro de 1945, tinha uma área de 6.346 Km2 (hoje são 545 Km2), ocupando 2,57% da área total do Estado. Foi desmembrado do município de Tanabi, e suas divisas chegavam aos rios Grande e Paraná. Tinha como distritos Jales e Pedranópolis. Sua população era de 25.002 habitantes, correspondendo a 0,31% da população estadual. Portanto, uma imensa área, porém, pouco povoada.

O café foi, durante muitos anos, a principal fonte de renda, mas devido aos diferentes tipos de solo e a necessidade do próprio abastecimento, foram sendo introduzidas novas culturas, destacando-se o algodão, milho, amendoim e arroz.

Na atualidade

Atualmente o município de Fernandópolis possui uma área territorial de 550 km², população de 64.696 habitantes, com densidade demográfica de 117,63 habitantes por km². Seu grau de urbanização é superior a 96,94%, fato ligado ao grande desenvolvimento dos setores do comércio e serviços.

O setor de serviços representa 67,69% da riqueza gerada no Município. A indústria responde por 29,35% e o setor de agropecuária, cerca de 2,97%.

Fernandópolis é uma cidade economicamente agrícola, comercial e industrial. Dos estabelecimentos econômicos, 44% pertencem ao setor comercial, 27% estão no setor de serviços e 5% no setor industrial. Porém, o setor de serviços é responsável pelo maior número de empregos formais, isto é, 39% do número de vagas. Apesar da importância da indústria e comércio na economia regional, a agropecuária ainda é a principal fonte de dinamismo econômico.

A renda que movimenta o setor de comércio e serviços do município é proveniente da agricultura do município de Fernandópolis. A produção agrícola do município e região está concentrada em culturas temporárias, com amplo destaque para o cultivo da cana-de-açúcar, representando cerca de 44% do total da área cultivada. Dentre as culturas permanentes, a laranja e outros citros são responsáveis pela maior parte do valor gerado. É também de grande importância para a região a bovinocultura de corte e leite, atividades que atingiram conjuntamente mais de 23% do total do valor da produção agropecuária.

Fernandópolis se tornou referência nacional por adotar o toque de recolher para crianças e adolescentes menores de 18 anos. O município é pioneiro, tendo sido imitado por cerca de 100 municípios em 22 estados, como Ilha Solteira e Itapura. A medida foi imposta pelo Juiz da Vara da Infância e Juventude, Evandro Pelarin, em 2005, por meio de portaria, para reduzir os índices de violência no município. A medida recebeu repercussões positivas e negativas por parte da população.

Apesar disso, diversos órgãos do governo questionaram a portaria. O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente se posicionou contrária ao toque de recolher, afirmando que a medida contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição Federal e é uma medida paliativa que esconde os problemas ao invés de resolvê-los. O Ministério Público de São Paulo entrou com recurso, e em 2012, após sete anos em vigência, o Supremo Tribunal Federal cassou a portaria. Porém, a portaria foi retirada pelo próprio juiz que a instituiu, antes da cassação pelo STF.

De acordo com os dados do Juizado de Menores, durante o período em que funcionou, o toque de recolher apresentou resultados positivos, com a diminuição de atos infracionais cometidos por menores de idade. Em 2005 foram 378 ocorrências, número que caiu para 74 em 2010. A infração que teve maior índice de redução foram os furtos, que diminuíram 91%. Também diminuíram outras ocorrências, como porte de entorpecentes, de 17 casos para 8, e lesão corporal, de 68 em 2005 para apenas 19 em 2008. Em 2005, 15 menores foram flagrados portando arma; em 2008, não houve registro.

Fonte: Wikipédia.